sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O Suicídio e o Humor

3 comentários:
Estou abismado com a agressividade demonstrada por alguns humoristas, no Twitter, sobre o suicídio, ao comentarem sobre a morte de Leila Lopes.

Rafinha Bastos, do CQC, para além de qualquer piada de mau gosto, chegou a afirmar que "suicida tem mais é que se foder".Como seu colega de programa Danilo Gentilli, ao expor uma piada acusada de teor racista meses atrás, o comediante consegue piorar uma piada ruim com comentários posteriores, de defesa, que mais "queimam seu filme" do que "livram sua cara".

Ao dizer que os suicidas tem mais é que se foder, Bastos deixa de apenas guardar mais umas piadas de péssimo gosto em seu currículo para tecer um comentário desrespeitoso, agressivo e intolerante. É claro que logo seus defensores surgem das profundezas, buscando distorcer as circunstâncias ao taxarem os críticos de Bastos de intolerância e "corretismo político"!!
(Aqui, eu poderia acrescentar a hipocrisia presente nesse raciocínio "CQCniano": eles acusam os críticos de serem politicamente corretos, mas se acham no direito de tecer comentários moralistas sobre o comportamento de celebridades e políticos nacionais.Quem, afinal, é hipócrita nessa história?)

Rafinha cai, ainda, no senso comum ao abstrair todas as configurações sociais que levam as pessoas a cometerem suicídios, responsabilizando, de forma simplista, o suicida por sua atitude - além de demonstrar grande raiva com relação a essa "solução final", dada por pessoas desesperadas, mostrando um certo moralismo sobre o valor da vida.

De modo similar, os doentes são progressivamente responsabilizados por suas doenças - como uma vítima do câncer, da Aids ou de um ataque cardíaco, com seus estilos de vida e comportamentos passados vistos como únicos fatores causadores das enfermidades. Indo mais longe, garotas como a da Uniban e milhares de mulheres estupradas, vítimas de violência sexual igualmente injustificável, são vistas como grandes causadoras das desgraças que as assolam - como se, indiretamente, respaldassem as ações de seus agressores pelos seus comportamentos "moralmente questionáveis".

Como Durkheim, o pai da Sociologia, já demonstrou, os suicídios, para além das motivações subjetivas dos indivíduos, possuem causas sociais. É preciso entender quais são as características circunstanciais da sociedade contemporânea que tornam atraentes às pessoas se absterem de viver, mergulhando na morte. Declarações de figuras públicas nacionais, como Rafinha Bastos, sobre o assunto, apenas escondem a questão nas profundezas de um quarto escuro, isolado dum debate público sobre a sociedade que nos rodeia.

Pedro Mancini

Esforço de ressucitação

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É incrível como esse ano passou rápido. Quando me dou conta, já faz quase meio ano que escrevi da última vez - sendo só um recadinho, com uma imagem que nem sequer consegui ampliar (e ainda não consigo!).

De fato, só escrevi verdadeiramente no último natal. E, mesmo que me recuse a acreditar, já nos aproximamos de mais uma "edição" desse evento tão importante para a nossa contemporânea sociedade ocidental...

Em suma, acho que o tal do "espírito natalino" me atinge de forma especial, fazendo-me recuperar um pouco as forças para escrever, timidamente, minhas idéias nesse humilde blog... Embora esse espírito costume se dissipar com a virada do ano. Dominado por ele, ao menos já consegui dar uma formatada nesse pulgueiro...

Veremos se consigo, dessa vez, manter esse espírito em meu ser por mais alguns meses, quem sabe por todo o ano de 2010!

Em breve, postarei mais uma experiência particular de natal, que vivenciei dias atrás (na verdade, ainda faltando quase 1 mês para a "noite feliz"). Depois, procurarei atender o pedido de uma fã "anômima" - promessa que fiz há meses, e cujo cumprimento já adiei o suficiente.

QUE O ESPÍRITO NATALINO (sic) ME AJUDE NESSA EMPREITADA, TRANSMITINDO-ME A DEVIDA INSPIRAÇÃO!!


Pedro Mancini

terça-feira, 21 de julho de 2009

Comparação

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Tive que postar essa grade pérola que o Twitter me forneceu...
Quem não conhece as obras dos autores, sugiro muitíssimo a leitura de ambas!
(A imagem ficou muito pequena e não tenho conhecimento nem paciência para aumentá-la rapidamente, então envio o link da mesma: http://fatpita.net/?i=1952.)

sábado, 3 de janeiro de 2009

Minhas festas de fim-de-ano

Um comentário:
Comemorações de fim-de-ano (o Natal e o Revéillon propriamente dito) são ótimas ocasiões para se observar e estudar as regras sociais em vigor - regras e habitus que condicionam o comportamento de nossos queridos parentes. São ocasiões ritualísticas, em que a solidariedade de grupos de parentesco e amizade é posta à prova e exercitada.

Em meio a tais cerimônias, várias nuanças podem ser captadas: sinais sociais que, por vezes, reforçam, e às vezes parecem contrariar o conteúdo simbólico "real" dessas próprias celebrações...

Na festa de natal que participei, promovida por minha família, pude observar alguns comportamentos curiosos. Destacarei um em especial: a aparição de um Papai-Noel contratado...

Durante essa tradicionalizada aparição, todos os meus priminhos (que têm entre 5 e 9 anos, creio eu... nunca fui bom em estipular idades de crianças) receberam inúmeros presentes - desde dedais de borracha (que simulam máscaras de luta-livre) até um videogame de última geração (sim, trata-se de uma família burguesa, em essência).

Em meio ao ritual, os parentes mais próximos das crianças, mais afobados que as próprias e armados com câmeras digitais, fizeram um verdadeiro escândalo para filmarem seus filhotes no colo do papai-noel - em uma tentativa desesperada de encaixar a situação em um modelo ideal de natal, com as crianças superfelizes ao receberem as mais incríveis bugigangas do "bom velhinho".

As crianças, porém, ao contrário do que ocorre nessa situação ideal, não pareciam lá tão empolgadas... tanto que foram postas "aos gritos" no colo do papai-noel, pelos pais, e cutucados impacientemente quando, distraídas, deixavam de olhar fixamente para o velhinho contratado e os presentes que ele entregava... ao meu ver, uma situação quase totalitária (por minúscula que seja), em que as ações das crianças eram-lhe impostas como obrigatórias, por forças externas, superiores e inescapáveis: adultos neuróticos!!!!!!!!!!!!

O interessante é que tais rituais, apesar de serem voltados às crianças (à internização de determinados valores cristãos e ocidentais às mesmas), atingem e emocionam muito mais esses adultos (que já tiveram esses valores internalizados, em um longo processo de socialização, inciado décadas atrás...). Já "moldados" pela sociedade, são seus valores, já apropriados e internalizados, que são postos à prova - valores esses ainda não inteiramente absorvidos pelas crianças. As últimas, é claro, como "radares" potentes que são, acabam absorvendo e reproduzindo, meio mecanicamente, tamanha excitação presentes em seus pais, tios e avós.

Em suma, valores que são absolutamente arbitrários aos olhos inocentes da criança, são, pela perspectiva adulta, tidos como "naturais", e por vezes defendidos com uma autonomia variável por esses adultos - transformados, pelo tempo, em agentes reprodutores e difusores desses valores.

A situação discrita nesa postagem exemplifica, assim, o funcionamento de todo processo de socialização, em que valores, a princípio estranhos ao indivíduo, são-lhe impostos à força, com tamanha violência simbólica e insistência, que acabam naturalizando-se, sendo apropriados e, freqüentemente, ativamente defendidos e disseminados.

As crianças, por hora vítimas de um ritual rígido de socialização (cujos custos se anulam totalmente, com as recompansas representadas pelos presentes de Natal, o "lado feliz" (???) dessa situação arbitrária), com muita probabilidade, transformar-se-ão em "impositores morais" à imagem dos próprios pais, algum dia: impondo, com violência similar, os valores da sociedade capitalista, cristã e ocidental às próximas gerações... com uma discreta mão de ferro, mas também com muito amor, carinho e presentes, é claro.


Pedro Mancini

sábado, 6 de dezembro de 2008

Novo Show do Iron!

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Folha Online, 28/11/2008

Iron Maiden volta ao Brasil em 2009 em encerramento de turnê


"O Iron Maiden volta ao Brasil em março de 2009 com shows da turnê "Somewhere Back In Time" nas cidades de São Paulo --no Autódromo de Interlagos-- Manaus, Rio de Janeiro, Recife e Brasília.

Em março deste ano, os metaleiros passaram pelo Brasil com esta turnê. O retorno está na agenda de apresentações finais da turnê internacional.

A banda se apresenta em Manaus, no dia 12 de março, no Rio de Janeiro, dia 14, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, no dia 15, em Recife, no dia 18, e em Brasília, dia 20. (...)

(...) Para o show no Autódromo de Interlagos, o Iron Maiden trará para o país todo o equipamento do show apresentado na Europa, com um set list especial e pirotecnias".

Os poucos que acompanham esse humilde blog sabe que estive no show do ano passado, ocorrido no estádio de futebol do Palmeiras, o Parque Antártica.

Pois bem, pelo tanto que adorei aquele show, mesmo sendo em um local relativemente pequeno e sem a exibição de toda a tecnologia que a banda poderia utilizar, não resisti à tentação de voltar a presenciar esse fantástico grupo, tão presente em minha adolescência (e até hoje). Agradeço à minha querida Diana pela compra dos ingressos (por um preço salgadinho, até...) pela Internet, que me possibilitará assistir à apresentação, que promete ser bem melhor que a anterior... a começar pelo local (o Autódromo de Interlagos, muuuito mais espaçoso!), e considerando que o próprio Bruce Dickinson prometeu realizar um show bastante piroténico. Ah, sim: ao contrário do ano passado, em que assisti da arquibancada, ficarei com minha namorada na pista central... o que deve tornar a experiência muito mais intensa.


Pedro Mancini

Será?

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Coluna Zapping, Folha de São Paulo, 03/12/2008:


"MPF quer multa de Sonia Abrão"

"Sonia Abrão falou ao vivo com o seqüestrador e com a adolescente. O Ministério Público Federal pediu indenização de R$ 1,5 milhão (o dinheiro vai para projetos de direitos humanos) pelo fato de a imagem da menor, Eloá, ter sido usada sem autorização judicial. Além disso, segundo o MP, Sonia interferiu na atividade policial, colocando a vida da adolescente e dos envolvidos na operação em risco. A Rede TV! diz que não foi notificada e que se sente censurada. Quanto à Globo, que também exibiu entrevista (gravada) feita por Zelda Mello, o ministério diz que enviou um ofício ao RJ, onde fica a sede da emissora. A Record também exibiu entrevista, mas o ministério afirma que não teve conhecimento oficial".


Já é um passo, não?? Mas... e como ficam as emissoras mais poderosas (e TEORICAMENTE mais discretas), como a Globo e a Record? Será que também serão punidas de alguma forma pela irresponsabilidade?


Pedro Mancini