terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Ainda sobre a Leila Lopes (Última)
Só para finalizar o assunto: Leila Lopes deixou uma carta aos familiares com suas justificativas para o suicídio. Para quem tiver curiosidade mórbida ou interesse "acadêmico" para analisar seu discurso, deixo a opção: http://br.noticias.yahoo.com/s/08122009/48/entretenimento-familia-divulga-carta-deixada-leila.html
domingo, 6 de dezembro de 2009
Esclarescimentos sobre a postagem anterior
Não sei se todos estiveram à parte dos acontecimentos que me fizeram elaborar a postagem de ontem, mas, por via das dúvidas, descreverei brevemente os fatos.
No dia 03/12, a atriz Leila Lopes, que já participou de várias novelas da Globo e recentemente partiu para o mercado de filmes pornográficos, foi encontrada morta em sua residência (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u661197.shtml). A polícia suspeita de suicídio.
Tão logo a notícia se espalhou, os piadistas de plantão do Twitter dispararam seu arsenal de piadinhas - algumas delas razoáveis, outras bem infames. Até aí, não vi lá muitos problemas - não quero entrar em um moralismo simplista. Algumas piadas eram, de fato, boas, sem atacar diretamente os valores humanos (por exemplo, piadas que comparavam a morte da atriz com a do locutor Lombardi, do SBT).
Nesse contexto, Rafinha Bastos, do programa semanal da Bandeirantes CQC (http://www.band.com.br/cqc/), um programa bem a gosto da classe média paulistana, lançou a seguinte piada, via Twitter: "Ñ condenem o suicídio. Pense: Se vc fosse a Leila Lopes, o q vc faria?"
A partir daí, o humorista recebeu uma série de críticas pela rede informacional. Como se não bastasse a infelicidade da referida piada - que atacou moralmente a integridade não só de uma atriz, mas de todos seus amigos e familiares, sofrendo por sua recente perda (e que NÃO PRECISAVAM ler esse tipo de comentário), Bastos lança um comentário de "defesa que soa ainda pior: "A todos os q se ofenderam c/ o q eu disse da Leila Lopes: A vida é ótima e suicida tem mais é q se fuder".
(Aliás, esse tipo de reação parece ser bem próprio dos membros do CQC: Danilo Gentili já foi acusado de fazer uma piada racista e, ao se defender, causou ainda mais mal-estar entre seus seguidores de Twitter).
Enfim, foram esses acontecimentos da presente semana que me motivaram a escrever a última postagem.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
O Suicídio e o Humor
Estou abismado com a agressividade demonstrada por alguns humoristas, no Twitter, sobre o suicídio, ao comentarem sobre a morte de Leila Lopes.
Rafinha Bastos, do CQC, para além de qualquer piada de mau gosto, chegou a afirmar que "suicida tem mais é que se foder".Como seu colega de programa Danilo Gentilli, ao expor uma piada acusada de teor racista meses atrás, o comediante consegue piorar uma piada ruim com comentários posteriores, de defesa, que mais "queimam seu filme" do que "livram sua cara".
Ao dizer que os suicidas tem mais é que se foder, Bastos deixa de apenas guardar mais umas piadas de péssimo gosto em seu currículo para tecer um comentário desrespeitoso, agressivo e intolerante. É claro que logo seus defensores surgem das profundezas, buscando distorcer as circunstâncias ao taxarem os críticos de Bastos de intolerância e "corretismo político"!!
(Aqui, eu poderia acrescentar a hipocrisia presente nesse raciocínio "CQCniano": eles acusam os críticos de serem politicamente corretos, mas se acham no direito de tecer comentários moralistas sobre o comportamento de celebridades e políticos nacionais.Quem, afinal, é hipócrita nessa história?)
Rafinha cai, ainda, no senso comum ao abstrair todas as configurações sociais que levam as pessoas a cometerem suicídios, responsabilizando, de forma simplista, o suicida por sua atitude - além de demonstrar grande raiva com relação a essa "solução final", dada por pessoas desesperadas, mostrando um certo moralismo sobre o valor da vida.
De modo similar, os doentes são progressivamente responsabilizados por suas doenças - como uma vítima do câncer, da Aids ou de um ataque cardíaco, com seus estilos de vida e comportamentos passados vistos como únicos fatores causadores das enfermidades. Indo mais longe, garotas como a da Uniban e milhares de mulheres estupradas, vítimas de violência sexual igualmente injustificável, são vistas como grandes causadoras das desgraças que as assolam - como se, indiretamente, respaldassem as ações de seus agressores pelos seus comportamentos "moralmente questionáveis".
Como Durkheim, o pai da Sociologia, já demonstrou, os suicídios, para além das motivações subjetivas dos indivíduos, possuem causas sociais. É preciso entender quais são as características circunstanciais da sociedade contemporânea que tornam atraentes às pessoas se absterem de viver, mergulhando na morte. Declarações de figuras públicas nacionais, como Rafinha Bastos, sobre o assunto, apenas escondem a questão nas profundezas de um quarto escuro, isolado dum debate público sobre a sociedade que nos rodeia.
Pedro Mancini
Esforço de ressucitação
É incrível como esse ano passou rápido. Quando me dou conta, já faz quase meio ano que escrevi da última vez - sendo só um recadinho, com uma imagem que nem sequer consegui ampliar (e ainda não consigo!).
De fato, só escrevi verdadeiramente no último natal. E, mesmo que me recuse a acreditar, já nos aproximamos de mais uma "edição" desse evento tão importante para a nossa contemporânea sociedade ocidental...
Em suma, acho que o tal do "espírito natalino" me atinge de forma especial, fazendo-me recuperar um pouco as forças para escrever, timidamente, minhas idéias nesse humilde blog... Embora esse espírito costume se dissipar com a virada do ano. Dominado por ele, ao menos já consegui dar uma formatada nesse pulgueiro...
Veremos se consigo, dessa vez, manter esse espírito em meu ser por mais alguns meses, quem sabe por todo o ano de 2010!
Em breve, postarei mais uma experiência particular de natal, que vivenciei dias atrás (na verdade, ainda faltando quase 1 mês para a "noite feliz"). Depois, procurarei atender o pedido de uma fã "anômima" - promessa que fiz há meses, e cujo cumprimento já adiei o suficiente.
QUE O ESPÍRITO NATALINO (sic) ME AJUDE NESSA EMPREITADA, TRANSMITINDO-ME A DEVIDA INSPIRAÇÃO!!
Pedro Mancini
De fato, só escrevi verdadeiramente no último natal. E, mesmo que me recuse a acreditar, já nos aproximamos de mais uma "edição" desse evento tão importante para a nossa contemporânea sociedade ocidental...
Em suma, acho que o tal do "espírito natalino" me atinge de forma especial, fazendo-me recuperar um pouco as forças para escrever, timidamente, minhas idéias nesse humilde blog... Embora esse espírito costume se dissipar com a virada do ano. Dominado por ele, ao menos já consegui dar uma formatada nesse pulgueiro...
Veremos se consigo, dessa vez, manter esse espírito em meu ser por mais alguns meses, quem sabe por todo o ano de 2010!
Em breve, postarei mais uma experiência particular de natal, que vivenciei dias atrás (na verdade, ainda faltando quase 1 mês para a "noite feliz"). Depois, procurarei atender o pedido de uma fã "anômima" - promessa que fiz há meses, e cujo cumprimento já adiei o suficiente.
QUE O ESPÍRITO NATALINO (sic) ME AJUDE NESSA EMPREITADA, TRANSMITINDO-ME A DEVIDA INSPIRAÇÃO!!
Pedro Mancini
terça-feira, 21 de julho de 2009
Comparação
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Tive que postar essa grade pérola que o Twitter me forneceu...
Quem não conhece as obras dos autores, sugiro muitíssimo a leitura de ambas!
(A imagem ficou muito pequena e não tenho conhecimento nem paciência para aumentá-la rapidamente, então envio o link da mesma: http://fatpita.net/?i=1952.)
sábado, 3 de janeiro de 2009
Minhas festas de fim-de-ano
Comemorações de fim-de-ano (o Natal e o Revéillon propriamente dito) são ótimas ocasiões para se observar e estudar as regras sociais em vigor - regras e habitus que condicionam o comportamento de nossos queridos parentes. São ocasiões ritualísticas, em que a solidariedade de grupos de parentesco e amizade é posta à prova e exercitada.
Em meio a tais cerimônias, várias nuanças podem ser captadas: sinais sociais que, por vezes, reforçam, e às vezes parecem contrariar o conteúdo simbólico "real" dessas próprias celebrações...
Na festa de natal que participei, promovida por minha família, pude observar alguns comportamentos curiosos. Destacarei um em especial: a aparição de um Papai-Noel contratado...
Durante essa tradicionalizada aparição, todos os meus priminhos (que têm entre 5 e 9 anos, creio eu... nunca fui bom em estipular idades de crianças) receberam inúmeros presentes - desde dedais de borracha (que simulam máscaras de luta-livre) até um videogame de última geração (sim, trata-se de uma família burguesa, em essência).
Em meio ao ritual, os parentes mais próximos das crianças, mais afobados que as próprias e armados com câmeras digitais, fizeram um verdadeiro escândalo para filmarem seus filhotes no colo do papai-noel - em uma tentativa desesperada de encaixar a situação em um modelo ideal de natal, com as crianças superfelizes ao receberem as mais incríveis bugigangas do "bom velhinho".
As crianças, porém, ao contrário do que ocorre nessa situação ideal, não pareciam lá tão empolgadas... tanto que foram postas "aos gritos" no colo do papai-noel, pelos pais, e cutucados impacientemente quando, distraídas, deixavam de olhar fixamente para o velhinho contratado e os presentes que ele entregava... ao meu ver, uma situação quase totalitária (por minúscula que seja), em que as ações das crianças eram-lhe impostas como obrigatórias, por forças externas, superiores e inescapáveis: adultos neuróticos!!!!!!!!!!!!
O interessante é que tais rituais, apesar de serem voltados às crianças (à internização de determinados valores cristãos e ocidentais às mesmas), atingem e emocionam muito mais esses adultos (que já tiveram esses valores internalizados, em um longo processo de socialização, inciado décadas atrás...). Já "moldados" pela sociedade, são seus valores, já apropriados e internalizados, que são postos à prova - valores esses ainda não inteiramente absorvidos pelas crianças. As últimas, é claro, como "radares" potentes que são, acabam absorvendo e reproduzindo, meio mecanicamente, tamanha excitação presentes em seus pais, tios e avós.
Em suma, valores que são absolutamente arbitrários aos olhos inocentes da criança, são, pela perspectiva adulta, tidos como "naturais", e por vezes defendidos com uma autonomia variável por esses adultos - transformados, pelo tempo, em agentes reprodutores e difusores desses valores.
A situação discrita nesa postagem exemplifica, assim, o funcionamento de todo processo de socialização, em que valores, a princípio estranhos ao indivíduo, são-lhe impostos à força, com tamanha violência simbólica e insistência, que acabam naturalizando-se, sendo apropriados e, freqüentemente, ativamente defendidos e disseminados.
As crianças, por hora vítimas de um ritual rígido de socialização (cujos custos se anulam totalmente, com as recompansas representadas pelos presentes de Natal, o "lado feliz" (???) dessa situação arbitrária), com muita probabilidade, transformar-se-ão em "impositores morais" à imagem dos próprios pais, algum dia: impondo, com violência similar, os valores da sociedade capitalista, cristã e ocidental às próximas gerações... com uma discreta mão de ferro, mas também com muito amor, carinho e presentes, é claro.
Pedro Mancini
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